Quarta-feira, Novembro 02, 2005


Domingo, Agosto 21, 2005

POR FAVOR NAO DELETE NEM PRECISA LER SO
REPASSE >

> Estou repassando.
> Não delete nem precisa ler só repassem!!!
> Quem apagar, não tem coração...
> Olá meu nome é Krista Marie e acabo de ter
uma filha, que se chama
> Natalie.
> Aos olhos do mundo, e recentemente os doutores
descobriram
> que minha pequena Natalie tem um câncer no cérebro.

> Desafortunadamente meu marido e eu não temos o
dinheiro para
> pagar a operação, mas meu esposo e eu conseguimos
uma ajuda da AOL,
> e eles nos ajudarão com 5 centavos por pessoa que
receber este e-mail.
> Por favor, reenvie este e-mail pra toda pessoa
que você conhece, e
> ajudem a minha pequena Natalie.....
> Deus lhes pague!!!!


Nada contra quem tem câncer no cérebro. De fato, alguns dos meus melhores amigos têm câncer no cérebro (ou são apenas idiotas, mesmo).
Mas eu espero que a pequena Natalie morra, e que seus pais chorem muito.



Sexta-feira, Janeiro 28, 2005

O Amor


O amor dói, o amor queima por dentro e você não sabe o que fazer.
Já me apaixonei por muita gente, mas amar de verdade é coisa rara.
Eu amo uma pessoa. Eu penso nela o tempo todo.
Penso tanto que às vezes sinto como se meu cérebro estivesse sendo destruido pelo vírus da idéia dessa pessoa. Minha respiração fica pesada, eu sinto um frio no estômago, um aperto, um romance.
Eu era ateu até ela. Não tinha ninguém que quisesse adorar, exaltar, defender, ser defendido por. Eu estava vazio, sozinho, eu lutava pelo meu alimento, pelo que eu queria.
Ela é minha deusa. Minha alma.
Esse é o post onde o Humberto vai me chamar de gay nos comentários e o Lítio vai dizer que eu escrevo muito mal. Bah, vão todos se foder. Eu só postei isso nesse blog porque tenho a certeza de que não estou escrevendo para o mundo e, portanto, posso ser sincero.
E porque quero tirar esse peso enorme do peito.
O amor me sufoca e me mata por dentro, como uma droga.
E eu estou amando cada minuto.




Terça-feira, Janeiro 25, 2005

Bustripping


Eu subi no ônibus, paguei meu preço e sentei-me ao lado de um rapaz que logo foi embora. Fiquei sentado por algum tempo, inspecionando o ambiente. Duas idosas e um idoso que haviam subido comigo estavam sentados, melancólicos, assistindo a vida passar. O motorista parecia o ser mais alegre do ônibus, não fosse o lindo casalzinho de adolescentes na minha frente, a garota falando como um berimbau no microondas e o garoto taciturno e desinteressado, como todo bom namorado. Observei por algum tempo o que se passava sem entender direito a humanidade.
Alguns pontos depois subiu ao ônibus uma linda loura, que se sentou ao meu lado. Encolhi-me, como um pombo machucado. Ela olhou pra mim, ficou parada por algum tempo lançando ondas de desprezo e se levantou, sentando-se num banco desocupado mais atrás.
O casal parara de falar. Bom pra mim.
Toca o celular, o toque que eu fiz de uma banda relativamente cult. Deixei tocar um pouco para mostrar que existo e atendi. O rapaz na outra linha disse que descobrira que não tinha dinheiro com ele. Fiquei puto. Ele tinha que ter dinheiro. Eu obriguei ele a sair. Ele não ia me deixar na mão. Mandei ele procurar pela casa e desliguei o telefone.
Subiram dois rapazes no ônibus e um deles se sentou ao meu lado. Não estava mais tão sozinho, afinal.
Fiquei pensando. E isso é perigoso.
Alguns minutos depois, liga ele de novo. Avisa que não achou. Eu falo pra ele pedir emprestado no mínimo o dinheiro do ônibus que eu pago o cinema. Ou não vamos no cinema. Eu só queria sair de casa e parar de pensar. Pra que fazer algo bom? Eu quero fazer qualquer coisa, desde que me faça parar de pensar.
O engarrafamento se intensificou. Um pouco adiante havia um carro com a traseira despedaçada e uma moto destroçada ao lado. Várias pessoas corriam para socorrer o motoqueiro. Uma grande poça de sangue havia se formado no chão. Sua perna e sua cabeça estavam feridas. Ele estava inconsciente. "Só isso?", pensei. "Eu esperava mais.". A cabeça dele estava meio deformada, mas preferi não prestar atenção.
O ônibus chegou no meu destino e desceram as velhas, os rapazes e os namorados. Chequei meu celular. Não parecia muito bom.



Segunda-feira, Janeiro 24, 2005

Terapia Musical


Sobre o arquivo acima...
Q: É sua?
A: Sim, é minha.

Q: Por que está disponibilizando aqui e não no Trama?
A: Porque não é uma boa música em si, é apenas algo que achei que combinasse com o blog.

Q: Comente.
A: Cantei "imitando" The Cure e The Rapture, duas bandas que admiro muito, mas mais por conveniência que por respeito às bandas em si. Guitarra base tocada ao mesmo tempo que a voz, o que prejudica um pouco a sonoridade, mas ajuda na expressividade. Três acordes. Punk rock, meu.

Q: Sobre a letra...?
A: Prefiro não comentar.

Q: "Terapia musical", é? Se eu ouvir essa música, eu vou me sentir melhor?
A: Não. Se você ouvir essa música, eu vou me sentir melhor. Obrigado.

Deus, como eu me odeio.
Foto de promoção.




Sexta-feira, Janeiro 21, 2005

Eu Sou


Eu sou o que disserem que sou
Eu não sou nada além de células
Células que o homem nomeou

És humano e sabes pensar
E pensando podes me ver
Me vendo podes me nomear

Nada existe além da palavra
Palavra esta de qualquer um
Sua e de um físico nuclear
Nomeando o que achar comum

A mim não importa a palavra
Com que o "correto" me chamou
Eu não vou mais tentar lutar:
Eu sou o que disserem que sou



Segunda-feira, Janeiro 17, 2005

Carta dos Direitos Imutáveis
por um jovem carioca


Artigo primeiro: Todo cidadão terá direito à liberdade de expressão, desde que não fale mais do que deve.
Artigo segundo: Todos serão iguais perante a lei. O meliante e o inocente deverão cumprir suas penas em liberdade.
Artigo terceiro: Nenhum cidadão deverá receber tratamento diferenciado pela sua cor. Exceto nas faculdades.
Artigo quarto: Todos têm direito à vida, menos os que não.
Artigo quinto: O conceito da superioridade masculina está, a partir de agora, deixada para trás. Ambos os sexos agora serão igualmente estúpidos.
Artigo sexto: O homicídio é um crime e deverá ser punido como tal, a não ser que seja em legítima defesa. Exemplos: Para se defender da fome, do frio, da polícia, etc.
Artigo sétimo: O país, ex-colônia, agora será livre e soberano de seus interesses, a não ser que isso interfira nos de países mais em conta.
Artigo oitavo: O presidente será escolhido pelo sufrágio universal a cada quatro anos, estando sujeito a golpes militares, impeachments, graves problemas de saúde, intentonas comunistas, revoluções, baixas na opinião pública e a ira divina durante tal período para testar sua qualidade.
Artigo nono: Não importa a religião do cidadão, se ele é ateu, budista, islâmico ou cristão, desde que ele mande muito bem.
Artigo décimo: Todos os artigos anteriores poderão ou não ser esquecidos mediante pagamento. Tenham uma boa noite.

Carta Magna
Mein, mein, mein love.




Sexta-feira, Janeiro 14, 2005

O Astrônomo

Primeiro ato:
O astrônomo, com seu telescópio, olha as estrelas sobre o pano negro do universo e pensa "Deus, como eu sou insignificante!".
Segundo ato:
O astrônomo vai pro seu quarto, pega um revólver na gaveta e dá um tiro na própria boca, caindo pra trás, presumivelmente morto.
Terceiro e último ato:
Quatro losers com seus violoncelos tocam Canon em ré com andar lento para intensificar sua melancolia. Cortinas descem.



Quarta-feira, Janeiro 12, 2005

BR 00

A garota de preto fez sinal e eu parei. Estava dirigindo minha bicicleta pela BR 00, traçando círculos concêntricos em torno do meu umbigo. Ela se sentou entre meu corpo e o guidão e deitou a cabeça sobre meu ombro, como se não atrapalhasse nada, mas não quis impedí-la pois seus cabelos cheirando a avelã me inebriavam e me deixavam fora de mim. Eu disse "Para onde?", ela respondeu "Tanto faz.", e eu me emputeci e resolvi parar no acostamento, entre algumas pelancas. Desci, sentei-me num cravo e acendi um Corpus: "Você acha que pode surgir do nada e atrapalhar minha vida, sua puta?", "Não, não, não quero incomodá-lo, só quero aproveitar a paisagem.", "Está querendo dar pra mim.", "Oh, vocês são tão grosseiros, eu apenas quero passar algum tempo com você, faz tempo que a gente não se fala.", "Ora, vá se foder.", disse eu.
Na vida, chega-se a tal ponto uma hora ou outra que é tudo ou nada. Eu não gostava dela. Eu me levantei.
- Tê-la comigo não é lucro, deixá-la não é sacrifício.
- Mas eu gosto tanto de você...
- Quer dar pra mim?
- Isso não.
- Então foda-se...
Subi na bicicleta, girei duas vezes meu pé direito no pedal para exercitar e disparei pela BR 00, olhando pela última vez para mais uma lembrança abandonada solitária no acostamento, em círculos concêntricos em torno do meu umbigo, como num buraco negro, até chegar no fundo...


Dedicado a todos que pensarem que merecem a dedicatória...




Terça-feira, Janeiro 11, 2005

Vida de Lagosta

Eu estava exposta num aquário que dava para a Rua Pamplona num restaurante de frutos do mar de terceira categoria, vendo os carros passarem. A vida de uma lagosta é das mais simples. Sentar e esperar. Somos engordadas, espionadas, isso deveria abrir seu apetite? Os balofos entram no restaurante achando que são superiores. Só se for no jogo de cintura. Não somos muito letais, a não ser que você seja um marisco. E nossas cinturas não se equiparam às dos hipopótamos da avenida. Sentar e esperar, enquanto somos engordadas e espionadas como aberrações numa exposição. Talvez com um pouco de amizade no olhar. Eles se acham de tal modo melhores que a gente que se dão o direito de ter misericórdia. De ter pena. Não precisamos de pena. Não precisamos de nada. Somos engordadas, enquanto esperamos a morte chegar. É uma vida melhor que a de muito neguinho aí.
O humano passou pelo terceiro dia seguido, carregando um embrulho prateado. Eu não ligo. Eu sou uma lagosta. Por que deveria me importar? Espero que o mundo acabe em catarata para eu morrer encostada. E cega.
Eu não penso, eu não sirvo para nada. Caçar cansa. Eu prefiro muito mais ser engordada e morta quando algum deles sentir fome, para dar continuidade à natureza. Sinto que estou cumprindo meu papel divino na Terra, tal qual jesuíta ou revolucionário, eu sou essencial. Eu sou alimento. Eu faço o que posso, eu faço o que posso. Eu poderia ter escapado. Eu não escapei. Eu não quero mais, eu sei que vou ser alguém, um mártir, vou ter espaço no além-mundo, vou ser famoso, vou estar na capa das revistas, vou ser alguém, nem que postumamente.
O garoto é a lagosta.
Sem saber para onde vai, sem saber como voltar, dando voltas e voltas no seu aquário. Que importa o tamanho? Ele não sabe para que serve, então não faz diferença. A vida não faz sentido se pensarmos nela como indivíduos separados. Nada faz sentido. Eu estou conformada em saber que vou morrer e servir de alimento para alguém útil, um empresário, um vereador, um gari. Eu sou uma lagosta. Não sirvo pra nada.
O garoto voltou.


Desculpem o post idiota, é que eu queria tirar a idéia da cabeça...




Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

O Homem que Não Acreditava em Gorjetas

O homem que não acreditava em gorjetas sentou e se expandiu, como a Alemanha, ou como um saco de areia atingido pela gravidade. Em espírito e em corpo. O 10% economizado pelo homem que não acreditava em gorjetas, por refeição, garantia-lhe uma refeição gratuita a cada cinco dias, seis refeições gratuitas por mês, setenta e duas refeições gratuitas por ano. Setenta e duas... equivale a mais de um mês de refeições gratuitas. Mês este que ele usava na Europa, em férias de fim de ano. O que não lhe impedia de ser gordo e saudável. O homem que não acreditava em gorjetas conhecia prazeres que o pênis desconhece, e boa parte da população normal, engolfada pela hipocrisia que nega com tanta veemência, ignora por opção. Pois nem sempre o atendimento é bom. Mas quem negará a gorjeta? Poucos se sujeitam a tal humilhação. O homem que não acreditava em gorjetas sujeitou-se a ela duas vezes por dia durante todos os dias de sua vida. Um passante chamaria isso de hipocrisia. "Não é possível, assim como nem sempre o atendimento é bom, nem sempre ele é ruim!", mas é pela sombra do vale do instinto humano que ele se perde, pois a natureza nos impele a querer sempre mais, e não sempre menos. É assim perfeitamente aceitável que o homem que não acreditava em gorjetas não gostasse do tratamento que recebia, o que fazia sua consciência não se sentir impelida a desembolsar a gorjeta. O homem que não acreditava em gorjetas tinha dignidade, pois não descia de seu pedestal para entregar gorjetas a qualquer um que pedisse. Todos sabiam que o homem que não acreditava em gorjetas não dava gorjetas. Estava em sua própria designação. As garçonetes evitavam atendê-lo, mas o profissionalismo dos restaurantes requeria que a disputa por quem iria não servir o homem que não acreditava em gorjetas fosse totalmente imperceptível. Os gerentes amavam o homem que não acreditava em gorjetas. Cada gorjeta de que o homem que não acreditava em gorjetas não abria mão era, sabidamente, 10% do dinheiro da refeição encaminhado para uma refeição futura a ser feita no mesmo restaurante. Portanto, o homem que não acreditava em gorjetas não poderia ser importunado. Sua refeição deveria ser perfeita, para ele voltar e dar mais do seu gordo dinheiro para o gerente ambicioso. O homem que não acreditava em gorjetas parecia ter achado uma falha no plano universal, uma brecha na lei, o segredo do universo. O homem que não acreditava em gorjetas sentou e se expandiu, como a Alemanha, ou como um saco de areia atingido pela gravidade. Disse ele:
- Traga-me um vinho.
Trouxeram-no. O homem que não acreditava em gorjetas lentamente derramou parte do conteúdo da garrafa em seu copo, brindou o ar e deu um gole, caindo para trás, morto, envenenado.


In karma we trust.




Sábado, Dezembro 25, 2004

Saldo Natalino
ou
Como Chegar à Conclusão Errada a Partir de Premissas Verdadeiras

Karaio! Meus pais acham que sou poser!
Dia desses mamãe chega em casa e me dá uma camisa com o Kurt Cobain estampadão na frente e uma outra com o símbolo da anarquia (como esta última era "repetida", agora está com este rapazito). Tudo bem, tudo bem. Que eu gosto de Nirvana não é segredo, mas eu preferia ver a banda toda ao invés de apenas o Kurt. Isso parece coisa de garotinha poser!
Ok, eu passei tanto tempo andando com meu maldito cordãozinho anarquista hipócrita que dei motivos para isso, mas puxa, sei lá, não é legal. Então natal. Péssimo dia. Tudo dá errado, e quando vou me sentar à mesa para ceiar, papai briga comigo porque levantei a voz com ele porque ele estava me irritando profundamente com seus pedidos de prestar atenção na porra do prato. É, porra. Cacete.
Foda-se, a comida estava boa e a torta estava enjoativa. Mas vamos ao ponto principal: presentes. Porque eu sou um porco capitalista de primeira. Ora de criticar:
- camiseta do Linkin Park
- camiseta do Che Guevara
- auto-biografia de Gandhi
- coletânea de pinturas de Frida Kahlo
- CD do Acústico Engenheiros do Hawaii
- CD do The Killers, Hot Fuss
Mamãe me deu os cinco primeiros e meu pai deu o último. Que foi, aliás, o melhor. Porque eu pedi. Ele estava na Fnac com o celular e disse "Diz logo o que você quer!", "Bah, eu queria o box do Nirvana, mas não tem no Brasil...", "Diga algo acessível.", "Me vê um CD do The Killers então.", "Ok.". E foi. E estou ouvindo enquanto escrevo isso. E é foda, foda, foda.
Sobre a camiseta do Linkin Park... bem, é a capa do Live in Texas com a letra de In The End atrás. Ok, eu não odeio Linkin Park, mas tenho antipatia por quem diz que Linkin Park é tudo, e andar com uma camisa do Linkin Park por aí não iria me agradar muito. Mas minha mãe falou tudo: "Sua primeira camisa de banda foi do Linkin Park, não?". É, um homem não pode esconder o passado. Vou andar com ela por aí, orgulhosamente.
A camiseta do Che Guevara é o que há de mais demodê no mundo, mas deixa. Eu gosto do Che Guevara. Eu tenho um adesivo dele no quarto. Apesar das opiniões de certas pessoas, foi um bom homem e, mesmo que tivesse se tornado fascista no final, como dizem alguns, admiro sua luta. Mas que é meio poser, ah, isso é. Preferia uma camisa com a foice e o martelo. Seria bem adoravelmente periferia.
A auto-biografia de Gandhi... bem, Gandhi foi um grande homem... mas sei lá. Não funcionou. E os ideais dele não funcionariam se não houvesse as condições apropriadas. E ele era muito paz e amor, sei lá. Bem, só lendo mesmo.
Eu falei com mamãe algumas vezes sobre Frida Kahlo. Tinha figuras dela na Super Interessante. O legal é que eu estava andando com ela pela loja e falei "Puxa, aqui tem tantos livros com quadros de Salvador Dalí, seria tãããããão legal se alguém me comprasse um outro além daquele que tenho.", "É?", "É. Veja, Frida Kahlo. Deixô folhear. Bem, vamos embora.", "Vamos.". Mas sabe? Fiquei feliz. Dos presentes da minha mãe, foi o melhor. Frida Kahlo é foda.
O Acústico... bem, eu gosto de Engenheiros, mas não gostei muito do Acústico. Ah, foda-se. Ela estava no quarto dela e cheguei e falei "Mãe, mãe, vamos ver o Acústico Engenheiros do Hawaii!". Eu estava pedindo. E não é ruim. Tem boas músicas. Bem, bem, tanto faz.
Não é legal ficar calculisticamente e friamente discutindo sobre os presentes que seus pais te compraram com carinho e afeto? Claro que é. Mas bem, eles merecem. Eu não tinha pedido pra nascer, mesmo. E mamãe disse que ia me arranjar um quadro de Marilyn Monroe do mestre Andy Warhol, e papai talvez me consiga o tão sonhado box do Nirvana, então... aaaaaannnnnnyyaaaaaa *-*


Tá vendo? É meu. Só meu!




Terça-feira, Dezembro 21, 2004

Eu deletei esse tópico sem querer.
Ç_Ç
Quem leu, leu. Quem não leu... se fode aí, vai.



Segunda-feira, Dezembro 20, 2004

Outra Crônica

Saudosos os tempos do presidente Jânio Quadros. Aquilo que era homem. Mesmo presidente, não perdia a pose: sentava na calçada e comia seu pão com mortadela, ia para o Planalto sem pentear o cabelo e provavelmente não limpava a bunda, também. O cheiro de merda infestava Brasília. Ou o Rio. Ou Brasília. Bah, foda-se. Como ia dizendo, era um factóide, assim como condecorar Che Guevara e jogar cocô nos opositores numa reunião do congresso. Mas rapaz, se nós amávamos aquele presidente amarfanhado com seu sanduíche de mortadela embrulhado em papel laminado. <- rima incidental, eu não sou gay, por favor.
Hoje em dia, porém, tornou-se comum no mundo enfumaçado e homicidioso do hip hop a ascenção de um... um... um preto aí do gueto para o estrelato. O filho da puta, ao invés de manter a vida simples e gueteira que nós, órfãos da geração flanela, esperávamos, vão e torram o dinheiro em mansões, iates, bebidas e... ANÉIS! É o caralho, porra, cu, rôla. <- de novo. Deve ser porque o outro "anel" está tão queimado e atritado que eles procuram substituí-lo. Assim como um José Sem-Pênis pode adquirir um carrão turbinado, ou melhor, uma cartola à la Dr. Seuss.
E nós, simples burgueses de Jacarepaguá, não nos identificamos com isso. E, quando nos identificamos, é comprando correntes de oitocentas pilas só para exibir por aí. Eles estão minando nossa sociedade. Eles são o mal do século. Eles mataram Kennedy. E precisam ser detidos.
Peguem o caso do MC Joca do Bagre, um rapper de renome que morava na Cidade de Deus. Eu cheguei a ver ele algumas vezes, quando meus pais me levavam para o Barra Shopping. Estava sempre sentado com uns amigos na calçada, trajando apenas uma camisa branca meio rasgada e um calção vermelho, bronzeado de sol, rosto rachado e fodido, comendo um espetinho de gato como se fosse um príncipe. Eu o admirava. É admirável que alguém, em condições tão precárias de vida, pudesse ostentar um sorriso alegre e brincalhão entre os dentes cariados e podres.
Quando a primeira onda de de hip hop tomou o Brasil, com os Racionais tendo seu clipe exibido exaustivamente na MTV, Joca do Bagre pegou carona, tal qual um surfista prateado. Preto. Sua habilidade em rimar era espantosa. Sem educação, mal sabia escrever, mas falava com um líder, com sua voz forte e potente ecoando palavras de ordem e de sensibilidade notável. Tenho certeza de que poderia ter conquistado multidões em prol de alguma causa política vazia e sem sentido. Mas não quis, e devo agradecer a Deus por isso.
Pois rapidamente o chamado MC Joca do Bagre havia conquistado a Cidade de Deus, a Freguesia, Cascadura e, dizem alguns, a Barra. Não demorou para oferecem um contrato numa daquelas gravadoras iniciantes. O neguinho não era burro e não bobeou: aceitou na hora. Em pouco tempo, já era uma celebridade em todo o principado do Rio. Uma "celebridade". Pois a verdade é que o hip hop nacional não é tão glamouroso quanto o estadunidense. Mas MC Joca não havia percebido isso. E foi assim que trocou sua camisa branca rasgada por uma camisa branca rasgada de grife, seus calções vermelhos de corante para bermudões vermelhos de sangue proletário e suas sandálias da humildade por tênis Riff. Tinha milhares de pretendentes, mas nenhum de seus milhares de anéis era de noivado. E comprou um apartamento em Copacabana. Duplex. Com vista para o mar.
O que veio depois é lógico, previsível, inevitabilidade histórica. Hip hop nacional virou coisa do passado e a nova onda passou a ser bandas cover dos Beatles. MC Joca do Bagre declarou falência e só lhe restou seu apartamento e seus bens materiais. Os seguranças, percebendo onde tudo ia parar, pularam fora do barco. As damas também, não sem antes dizer que a culpa não era dele, e sim delas.
No dia cinco de novembro de 2002, um arrastão arrastou o apartamento de MC Joca do Bagre para o mar, onde naufragou, junto com sua honra e sua integridade. Seu corpo nunca foi achado.
Mas também nunca foi procurado, mesmo.


Sorriso incidental.




Domingo, Dezembro 19, 2004

Quando Marilyn Manson parará de corromper nossas crianças?! ;_;

Era uma vez eu, criança bobinha e gay e saltitante, saltitando tresloucadamente pelas sombras do Vale da Morte achando que estava no Nirvana, quando surgiu na minha vida esse pôrra-lôca maníaco sexual auto-felador que me fez rever conceitos estabelecidos. Em verdade vos falo: Marilyn Manson fodeu com a minha vida!
Só para se ter uma idéia, no dia anterior a eu baixar minha primeira música do Marilyn Manson, eu tive um sonho com ele. COM ELE! Eu devia ter visto ele umas poucas vezes na TV, mas não o suficiente para ficar marcado na memória. Mesmo assim, sonhei com ele, e não foi um sonho erótico, grasazádeus. Para ver como o universo conspira contra mim, a primeira música a aparecer no Kazaa foi "Sweet Dreams", justamente a que eu tinha mais chances de gostar.
O UNIVERSO FODEU COM A MINHA VIDA, CARALHO!
As letras foderam com meus conceitos religiosos, me jogando no vazio da existência e fazendo minha vida perder o sentido. Para que viver se não haveria uma grande recompensa? Para que viver se os débitos não seriam pagos? Para que viver se o carma instantâneo pode nunca chegar?
Eu passei dias, semanas, meses ponderando essas questões antes de chegar à paz espiritual: foda-se. É, foda-se. Não importa se existe ou não, se faz isso ou não, isso ou aquilo. Seja bom com as pessoas, faça o que bem entender sem machucar ninguém e foda-se. E isso eu tive que aprender sozinho.
Acho que Marilyn Manson gosta de Nietzsche. Destruir padrões. O que você construirá no lugar deles é problema seu, seu, seu.
E eu sofri por causa disso. Ha. E de vez em quando ainda sofro pelo vazio infernal, pela falta de perspectivas... mas muito menos. E só quando me deito para dormir.
Marilyn Manson acelerou o processo, no meu caso, e pode ter acelerado em outros também.
Um dia a pessoa começa a questionar sua fé. A sair da Matrix. O processo é doloroso e lento, em alguns casos. Em outros, se a pessoa for um filho da puta sem noção nem apego à vida e aos amigos, então não. Mas é normal. E você vai se sentir bem melhor, depois. Ou não. Bem, mas era necessário. A não ser que você queira ser evangélico. Ou judeu. Ou mórmon.
...mórmon.
Ahn, não, o ponto crucial da história é "faze o que tu queres há de ser tudo da Lei", amém e boa noite.


Bilu, bilu, bilu, bilu, bilu!